DIFERENÇA ENTRE O MINISTÉRIO E OS MINISTÉRIOS NO NOVO TESTAMENTO

1) Em primeiro lugar o ministério único neotestamentário é o que está mencionado nos versos 4:12 a 16 de Efésios, e ali está bem claro que tal ministério não corresponde ao ministério de algum membro mais dotado.

2) Em segundo lugar é preciso diferenciar entre O Ministério (mencionado em Ef 4) e ministérios, que são mencionados em 1 Co 12:5, os quais decorrem do desenvolvimento do dom que o Espírito distribui a cada um. Quando algum destes dotados, sob a direção do Espírito, se consagram e se doam para o corpo, se tornam estes dons dados aos homens (Ef 4:8-11).

3) Em terceiro lugar há que se diferenciar entre ministério (do grego ‘diaconia’, ou simplesmente serviço) do RESULTADO de tal ministério, o qual, dependendo do caso, pode até ser usufruído pelo Corpo pela eternidade, como é o caso do ministério dos Apóstolos e o Ministério do próprio Cristo. Por sinal este resultado está concluído e não se tem mais o que acrescentar senão edificar sobre ele (1 Co. 3:10,11).

4) Finalmente, é fundamental compreender a maravilha que é o Ministério da Nova Aliança, magistralmente descrito pelo apóstolo Paulo em 2 Co 2:12 a 3:11. Este Ministério maravilhoso só pode ser compreendido na esfera da comunhão dos apóstolos (1 Jo 1:3), pois é totalmente diferente de qualquer tipo de serviço ou ministério humano, sendo inclusive muito superior ao próprio ministério de Moisés, com todos os feitos que teve (cf. 2 Co. 3:13-15; Hb 8:5-13). De modo que com a expressão deste Ministério no Corpo temos cumprido 1 Tm 3:16, e isto, novamente friso, não destaca vaso algum em particular, mas destaca e glorifica CRISTO, o verdadeiro conteúdo da Igreja e do Ministério, sendo a Igreja o MISTÉRIO de Cristo. Recomendo uma meditação sobre as notas da Versão Restauração dos trechos que citei.

Todo o Ministério ou serviço necessariamente tem que ter um Ministro, e obviamente este ministério sempre será TEMPORÁRIO, sendo dado por concluído tão logo atinja o objetivo estabelecido em seu comissionamento dado por Deus. Obviamente que o ministério de um ministro termina com a morte deste!! Um ministério somente será eterno quando o Ministro também o for. Como os vasos são efêmeros e temporários, o resultado dos seus ministérios, quando muito, é o que perdura após a sua morte, mas nunca o Ministério deles! Portanto o único Ministério que permanece até cumprir plenamente o seu objetivo é o Ministério da Nova Aliança, cujo Ministro é o próprio Cristo! Misturar este ministério com o ministério de um ministro em particular, tratando como se o Ministério do ministro em questão perdurasse após a sua morte é uma temeridade que induz a introdução do conceito de hierarquia na Igreja.

Confundir, portanto, o ministério de algum vaso dotado com este Ministério da Nova Aliança é uma forte evidência de falta de percepção do que vem a ser de fato o Ministério da Nova Aliança!! Isto é particularmente perigoso, e pode ser percebido pelos frutos resultantes, já que, junto com as maravilhas da palavra revelada, temos infelizmente algumas conseqüências que, na prática, paradoxalmente contradizem a própria palavra pregada! Assim, por exemplo, o critério para condenar um falso Ministério deveria ser se este está saindo fora do fundamento dos apóstolos ou não, e não se está se subordinando a um ministério de um ministro ou grupo de ministros. Esta imposição de uma hierarquia centralizada da obra para tentar garantir a ‘unidade’ novamente é desprovida de base bíblica, pois quem garante a unidade é o infundir de cristo, que é de dentro para fora (Ver João 17:10-24). A unidade imposta por uma centralização hierárquica da obra é na verdade um esforço de unificação humano, que atua a partir do exterior dos santos, e a experiência mostrou em todos estes anos que só consegue uniformizar comportamentos e jargões, sendo absolutamente ineficaz de obter o resultado da genuína unidade descrita em João 17. O caminho da unificação é o caminho por onde se estabelece o poder religioso, punindo quem não se subordina àquela unificação e agraciando quem se submete, mas você não consegue ver real progresso de realidade espiritual naqueles que se sujeitam a este tipo de rudimento. Isto evidencia a carência de estar no verdadeiro Ministério da Nova Aliança, o qual aperfeiçoa a quem presta culto (cf. Hb 9:9).

Mas como a Bíblia define a unidade? Vale aqui transcrever Jo 17:20-23: "Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim". Fica evidente neste trecho da Bíblia que o conceito divino do que seja realmente Unidade é único e não tem paralelo na cultura humana! É uma unidade perfeita e única a tal ponto que é idêntica àquela entre o Pai e o Filho, ou seja à própria unidade do Deus Triúno! Esta unidade é tão excepcional que se torna por si mesma o próprio testemunho do Evangelho do Reino (Mt. 24:14), evidenciando ao mundo a contemplar, que verdadeiramente o Filho foi enviado e amado pelo Pai, que agora ama a todos em sua Igreja! No livro “The Resumption of Watchman Nee’s Ministry” (tradução: A Retomada do Ministério de Watchman Nee) Volume 57 do "Collected Works of Watchman Nee", no capítulo 4 ele diz que a unidade do Corpo é baseada no conhecimento da vida do Corpo e é claro, na percepção da realidade do Corpo. A expressão da vida é o amor, e a genuína unidade espiritual se expressa pelo amor ágape entre os irmãos (Jo 13:34,35; Cl 3:14; 2Ts1:3; Hb 6:10; 1Pe 4:8; 1 Jo3:16; 4:12), um amor de origem exclusivamente divina, e não pode ser comparado ao amor humano, pois a sua fonte é a vida divina (zoé – Gr) e não outro tipo de vida tal como a vida do homem natural (psiqué – Gr). Como é uma unidade produzida pela transmissão a nós da própria glória dada pelo Pai a Cristo, transmissão esta que só ocorre com aqueles que estão Nele e se alimentam Dele (Jo 6:53-57), ela é produzida em nós de dentro para fora! Da mesma forma que o amor divino, este tipo de unidade só pode ser promovida pelo próprio Deus e ninguém mais (Dn 2:34,45; Mt. 16:18), pois somente Ele pode trabalhar em nosso interior. Assim, para que a unidade de Deus se mantenha é indispensável o AMOR. A unidade humana dispensa o amor.

Será que já foi esquecida a ênfase das cartas de Paulo para o termo: EM CRISTO!? Detalhe interessante é que no original grego a declinação da palavra Cristo aqui está no locativo, indicando um lugar ou endereço! Aliás, é interessante observar que a parte final de Romanos, a partir do cap. 12, que trata da vida da igreja, logo no início, o escrito fala a respeito da renovação da mente (ver nota 24 da Versão Restauração), indicando que a vida da igreja só é viável com uma mente transformada! Confirmando assim que a unidade genuína da igreja, promovida pelo Espírito, requer a cooperação de uma mente renovada, que é capaz de perceber o que é a unidade genuína.

Tudo que a obra humana pode fazer e promover é uma unificação e uniformização de fora, do exterior, tentando chegar ao interior do homem, o que não deixa de ser uma presunção, que, na melhor das hipóteses, seria um zelo como o de Uzá em 2 Sm 6:6-8! É como tentar forjar uma aparência de amor divino através de exigência de comportamento amoroso humano, esperando com isto chegar ao amor divino!

A unidade segundo Deus é uma questão de ser, em decorrência de ser achado no "endereço" certo, ou seja Em Cristo (Ef. 1:3), e jamais uma questão de fazer ou praticar, como se fosse decorrente de algum tipo de desempenho! Por isto o Sr. Jesus deu aquela resposta desconcertante aos discípulos que O questionaram sobre as obras de Deus em Jo 6:28,29. É bom não esquecer o conceito divino sobre o que é fé (uma labuta diante do Senhor acerca de 2 Pe 1:1). A obra humana só consegue agir no exterior e promover uma unificação e uniformização, enquanto Deus consegue expressar a genuína unidade justamente nas múltiplas formas, de modo a humilhar os principados e potestades (Ef. 3:10)! A verdadeira unidade só pode ser fundamentada em Jesus. Focar nossa atenção Nele e entender como amar e suportar uns aos outros é muito mais importante do que concordar com as doutrinas. Ter as mesmas doutrinas não é a base para unidade – é uma base para a divisão! Quando o Senhor se torna nosso ponto focal, veremos doutrinas, praticas e tudo o mais pela mesma perspectiva.

Em alguns grupos cristãos, o que tem sido pregado e enfatizado é a unidade como algo que se faz e pratica, em contraposição com a unidade ensinada pelos apóstolos, que é uma questão de ser e estar! De acordo com o Estudo-Vida de Gêneses, quando sentimos necessidade de orar para ser um, é porque a unidade já acabou! Dentre os desvios dos ensinos dos apóstolos este é o mais catastrófico, pois, por enfatizar o fazer ao invés do ser, acaba por focar a questão da unidade da obra ao invés de focá-la na Igreja, como deveria ser, conforme a Bíblia. Considerar como requisito para "estar na unidade" o acatamento da autoridade de um dado ministro e sua obra é totalmente anti-bíblico. Acatar esse ensinamento, faz com que as igrejas sejam para a obra (ao invés de a obra ser para as igrejas) e se reportarem a ela para preservar este tipo de unidade, e com isto acabam perdendo a sua principal característica de ser todo-inclusivas e abertas. Com o tempo, a comunhão da igreja acaba apresentando mais restrições do que exclusivamente as da Bíblia, ao invés de ser aberta, como deveria para um testemunho genuíno da expressão da unidade divina! Também não é para menos, enquanto a Igreja deve ser todo-inclusiva e aberta como o coração de Deus, a obra é restrita e requer fidelidade a uma dada orientação, e algumas vezes até hierarquia. Como misturar estas duas coisas e atrelar a Igreja à obra? Assim ou se perde a todo-inclusividade, ou se perde a fidelidade. Acabou se optando por preservar a fidelidade a todo o custo e com isto estamos perdendo o endereço da genuína bênção espiritual de Ef. 1:3! Recomenda-se uma releitura da conclusão do livro "A Ortodoxia da Igreja" de W. Nee. No livro “Collection of Newsletters (2)” (tradução: Coletânea de circulares (2)) Volume 26 do "Collected Works of Watchman Nee", em sua ISSUE NO.12, o irmão Nee atribui este desvio a uma enorme ignorância espiritual aliada a um conhecimento mental e superficial de algumas verdades e algumas revelações de outros, sem que tenham tido alguma experiência de peso com o Corpo de Cristo. Isto normalmente se deve à falta de submissão ao Espírito Santo por não se dispor a tomar a Cruz conforme as escrituras, não deixando que o Espírito o conduzisse. Ainda no mesmo livro ele fala que, na história da Igreja, toda a denominação começou com um reavivamento, mas que com o passar do tempo, para tentar manter a bênção e a verdade, o homem inventou regras, sistemas e organizações. Como conseqüência o Espírito Santo acaba cessando a Sua obra ali. A liberdade do Espírito assusta a carne, pois ela certamente destrói a uniformidade exterior. A carne não suporta diferenças exteriores, desfruta da uniformidade exterior e exige que todos se conformem a um conjunto de regulações. Se a principal característica da igreja não for na esfera espiritual, mas na correção e uma forma pré estabelecida nas reuniões e na conduta dos membros, então na melhor das hipóteses será igual a atividade dos fariseus. Para que a genuína unidade tenha caminho, a nossa carne precisa ser crucificada. W. Nee ainda chega a repreender os cooperadores em uma carta de cancelamento da “Collection of Newsletters” devido a ênfases na época a termos como andar no caminho, obediência e consagração, associado a verdades e práticas exteriores! Ele diz que se continuarem desta forma, não serão úteis nas mãos do Senhor!

Este problema inclusive foi abordado mui apropriadamente pelo irmão Lee em seus últimos livros, entre eles vale examinar o “The intrinsic Problem in the Lord’s Recovery Today and its Scriptural Remedy” (tradução: O problema intrínseco na Restauração do Senhor hoje e o seu remédio nas escrituras), pp. 9 e 32. Nas páginas 9 e 10 ele comenta claramente que esse problema é devido à falta do entendimento apropriado do que é a genuína unanimidade, a qual é totalmente diferente de apenas ter um grupo de pessoas reunindo e concordando entre si. Na verdade tal unanimidade é a unanimidade do Corpo orgânico de Cristo! Na página 32 ele vai mais longe, deixando claro que para manter a unanimidade na questão dos ensinamentos, as igrejas não eram obrigadas a ministrar as mesmas mensagens e a usar os mesmos livros, até ao mesmo tempo, mas que bastava não aceitar ensinamentos diferentes daqueles que estavam de acordo com a revelação da Economia Divina do Novo Testamento! Neste livro ele também define a unanimidade (one accord, em inglês) como a expressão prática da unidade (oneness). O único problema é que ele não esclareceu como se diferencia esta unanimidade prática que expressa a genuína unidade de João 17 dos outros tipos de "unanimidade" promovidos normalmente por imposição autoritária da maneira de ver e pensar, tão corrente em regimes totalitários e em seitas e religiões. Se simplesmente for exigida a unanimidade per si, sem o devido embasamento da genuína unidade, não teremos a almejada bênção prometida pela Bíblia para tal unanimidade.

É um mito supor que a unanimidade na carne é impossível. O próprio Senhor Jesus deixou claro que o Reino do inimigo não era dividido, caso contrário não subsistiria (Mt 12:25,26; Mc 3:24-26; Lc 11:17,18)! O exemplo mais eloqüente de tal unanimidade humana é a torre de Babel em Gn 11:1-9, cuja unanimidade mereceu a atenção especial de Deus, que causou a divisão e dispersão entre eles. Outro grande exemplo de unanimidade é a do reino do anticristo (Ap 17:12,13).

O próprio Senhor Jesus veio para causar DIVISÃO em unidade já estabelecida (Mt 10:35; Lc 12:51), vamos agora censurá-Lo por isso? Por isto a ressalva no Senhor do apóstolo Paulo ao exortar que Evódia e Sintique pensassem concordemente em Fp 4:2. Tentar "ser um de alma" com um determinado obreiro ou líder, por melhor que este seja, nos leva a correr o risco de cair na maldição de Jeremias 17:5. Quanto a um líder exigir isto, seguramente é de se suspeitar de suas verdadeiras intenções e de sua fidelidade ao Senhor! A ênfase na unanimidade a qualquer preço, exigindo-se inclusive que se desconsidere completamente o TIPO de unanimidade exigido, assim como os erros e desvios da fé, é seguramente uma brecha que o inimigo de Deus tem usado por séculos para frustrar o propósito eterno do Senhor e trazer muito sofrimento ao Seu povo. Quem não conhece a história do catolicismo romano? Não foi nada fácil para Lutero ter a ousadia de testemunhar o que vira diante do Senhor em Sua palavra santa. Portanto é de se desconfiar da ênfase em uma prioridade a qualquer preço na unidade sem levar em conta o tipo e a esfera da unidade. Não é para menos que a percepção do Corpo de Cristo seja algo tão difícil e confuso entre alguns santos, chegando a ser considerado um verdadeiro privilégio místico dado a poucos. O Corpo de Cristo está sendo tratado como se fosse sinônimo da obra de um grupo cristão, já que discordar da obra implicaria dividir-se do Corpo, como se a unidade da vida divina e do Espírito Santo fosse assim tão frágil!

A prioridade deve ser em Cristo, como o apóstolo Paulo enfatiza em todos os seus escritos. Aqui se recomenda fortemente uma leitura das notas 31 e 32 da RV em Ef 4. A unidade e a própria unanimidade devem ser uma mera decorrência de estar em Cristo, esfera esta onde as heresias e desvios se inviabilizam, e você não é obrigado a "ser um" com elas! A unidade de Mt 12:30 e Lc 11:23 é decorrente de realidade interior e não de uma imposição exterior. Se de fato se tem tal realidade interior, então não estaríamos falando das heresias e desvios! De quem é o ônus de não praticar a unidade genuína? De quem prega a heresia e o desvio ou de quem não aceita a heresia e o desvio da vontade de Deus? Tal tipo de unidade não é uma unidade que Deus nos exija a que a preservemos, mas pelo contrário Ele vem para DIVIDI-LA. Deste modo o ônus da divisão NÃO será de quem aparentemente ocasionou a dita "divisão", mas de quem promoveu aquela unidade que não é baseada em Deus! Afinal é madeira, feno e palha, que são destruídos pelo fogo (1 Co 3:10-17). Aí a causa do escândalo e do tropeço (Mt 18:6; Mc 9:42; Lc 17:6) não é "do fogo que queima", mas é de quem construiu com material inadequado! Existe uma certa margem de tolerância com os desvios, conforme Mc 9:40 (ver nota 401), mas isto não quer dizer que se tenha de "ser um" interiormente com tais desvios. Até para tal tolerância existe limite. Ainda se tenta dar uma aparência de preocupação com os irmãos em caso da verdade ser divulgada, como se "por amor aos irmãos" deveríamos compulsoriamente ser coniventes com a mentira, sendo omissos com a verdade. Como se o ônus do eventual dano a estes irmãos fosse decorrente da divulgação da verdade e desmascaramento da mentira, quando de fato o DANO JÁ ESTÁ FEITO, e é proporcional ao quanto cada um escorou a sua vida na mentira (Mt 7:24-27). A revelação da verdade simplesmente antecipa a constatação do dano, e não é o que provoca o dano. Quanto mais tarde ocorrer tal revelação, mais cada irmão poderá avançar em sua confiança na mentira, aumentando o seu dano. O prejuízo máximo será quando a verdade só vier a ser constatada no dia do julgamento do Senhor! Portanto é uma presunção se arvorar de tutor dos irmãos, tomando-os como incapazes de responderem pelos seus atos, e por isto "protegendo-os" da verdade. No fundo atrás disso tem uma presunçosa hipocrisia de se achar melhor ou mais experiente que os irmãos. A verdade ofende ao homem que se escora em sua presunção, não a Deus! O irmão Lee deixou claro alguns princípios para praticar a unidade em seu livro: A Peculiaridade, a Generalidade, e o sentido prático da Vida da Igreja. O caminho prático da unidade é apresentado na parte final de Romanos, a partir do capítulo 12, e em especial a "dica" de 12:3 (& nota), sobre cada um pensar de si com moderação, conforme a medida de fé de cada um. Isto possibilita a que tenhamos sabedoria para nos suportar mutuamente até que todos possam crescer até a plena estatura de Cristo (Ef 4:13 & notas). Isto deixa claro que só Cristo em nosso espírito pode nos levar à unanimidade perfeita, e não os zelos e métodos humanos buscando coibir o que se entende ser uma "divisão" nos outros! O zelo que precisamos ter é de não nos desviarmos da palavra de Deus e do verdadeiro caminho da Fé (Dt 4:40; 12:28; Pv 7:2; Ec 12:13; Mt 19:17; 2 Tm 2:14; 1 Jo 2:4,5; 3:24; Ap 3:8; 16:15; 22:7), caso contrário estaremos incorrendo em sério risco de nos desviarmos do caminho que nos conduz à verdadeira unidade através do crescimento da graça e do conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo (2 Pe 3:14-18).

Assim a Unanimidade do Espírito é antes uma conseqüência de uma prática de acordo com o ensinamento dos apóstolos e a Economia Divina, do que a prática em si a ser perseguida a qualquer custo! Só assim haverá o genuíno testemunho que trará o Senhor de volta (Mt 24:14; 2 Pe 3:9-13). A Igreja que o Senhor está construindo irá um dia impactar o mundo com a sua unidade. Será uma unidade que ultrapassa alianças e acordos; será uma unidade que só pode vir através da união com Aquele que mantém todas as coisas juntas pela palavra do seu poder. Essa unidade não virá pela busca da unidade; ela só pode vir pela busca Dele. Podemos estar completamente inconscientes disso, mas nossa atenção não vai estar em nós mesmos, mas, Nele. A Unidade por si mesma pode ser um falso deus. Se estivermos buscando-O, a unidade virá.

Paulo Fernando
voznaweb@gmail.com

Um comentário:

  1. Paulo Fernando

    Sinceramente considero um grande exagero colocar que o ministério de uma pessoa somente acaba com sua morte. No contrário você tem razão, morreu encerrou.
    Mas caso a pessoa venha a se afastar de Deus, acabou não o seu ministério, mas o ministério que lhe foi dado por Deus.
    E perdoe-me, mas somente Jesus teve na terra todos os ministérios de Efésio 4:11 a 19.
    No próprio texto fica bem claro: a uns... a uns...
    nunca todos ao mesmo.
    A determinação de Deus é que a união de todos os ministérios atuando juntos geram o crescimento do corpo. Não há superdotados na obra do Senhor, somente existe dentro das denominações os superegos, que são aqueles citados no texto que "enganam" o povo.
    A Bíblia não deixa dúvidas em Ef. 4:11 a 19. Pessoas diferentes exercendo cada um seu ministério específico geram o crescimento de cada um à estatutura de varão perfeito.

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