AS CINCO CONDUTAS

Graças ao Senhor que, pela Sua Palavra mesclada a nossa experiência temos sido conduzidos a ver algo a respeito do seu Plano nesta terra, especialmente com respeito à igreja. Através dos anos, vários aspectos da igreja foram revelados e outros ainda não ainda nem foram experimentados adequadamente. Dos aspectos considerados essenciais, que seriam o ponto de partida para nossa jornada, destacam-se o aspecto universal e o local da igreja, sendo:

  • aspecto universal da igreja (Mat. 16:18), englobando todos os filhos de Deus, verdadeiramente regenerados;
  • aspecto local (Mt. 18:17), no sentido de que há somente uma igreja em cada cidade segundo a Bíblia. Assim, o limite da cidade é o mesmo limite da igreja, evitando a existência várias igrejas em uma mesma cidade ou uma igreja que tenha influência regional, nacional ou internacional, ultrapassando os limites locais.

Quanto ao primeiro aspecto, entendemos que há uma certa unanimidade em quase todo o cristianismo. Quando ao segundo aspecto, surgem vários problemas de ordem prática e de solução ainda nebulosa:

  • o aspecto da igreja local refere-se ao conceito de assembléia ou aos demais revelados na Bíblia? É possível praticar a vida de assembléia nos termos bíblicos? A vida de assembléia e a vida de igreja são sinônimos? É possível sair dos grupos cristãos e não formar mais um grupo distinto[1]?
  • Que atitude devemos ter em relação aos grupos cristãos que já se dizem igrejas locais em determinada cidade?
  • Que atitude devemos ter em relação as os vários grupos em determinada cidade? Condená-las, reconhecê-las, aceitá-las, ignorá-las?
  • Como pode ser praticada a vida da igreja local sem cair no localismo[2] e exclusivismo[3]?

Do sítio www.odiscipulo.com, transcrevo um alerta bem interessante sobre as interpretações errôneas sobre a unidade da igreja:

Quando se fala sobre a unidade da igreja, muitos interpretam erroneamente o que isto significa, não porque haja má intenção senão porque nosso contexto de igreja nos desorienta. A situação de anormalidade na qual vivemos não nos permite compreender com clareza como pode funcionar uma igreja em cada localidade. É necessário atuar com paciência e maior dependência do Espírito Santo para que Ele clareie nossos pensamentos e ilumine o nosso espírito.

· Um erro comum é pensar que a igreja da localidade deve funcionar em um só edifício. Estão tão ligado ao conceito igreja-edifício que parece que não se pode pensar em uma só igreja na localidade sem imaginar a todos em um só edifício. Temos que repetir até cansar que o edifício não é a igreja; sem parar, se segue chamando ao edifício com o termo "igreja". Isto faz com que se continue se associando igreja com edifício.

· Outro erro é pensar que todos temos que ser membros da mesma instituição. Todavia é comum pensar que se somos da mesma denominação somos um. Esta herança ficou na igreja pelo ensinamento tão marcado de que cada organização tinha que levantar uma congregação em cada povo ou cidade, ainda que já tivesse outros grupos cristãos estabelecidos, considerando normal as divisões, e que só tinha que manter a unidade denominacional. Graças a Deus, muitos pastores, sem necessidade de romper seus vínculos denominacionais, estão relacionando-se cada vez mais com outros pastores da localidade; não obstante, há outros líderes que Deus está levando há uma relação mais estreita com os pastores de sua cidade, quebrando as barreiras mais tradicionais.

· Um erro todavia mais sutil é pensar que a unidade da igreja em uma cidade consiste em reunir a todos os membros da igreja em uma reunião dominical ou semanal. Por supor que fazer reuniões conjuntas periodicamente que é muito bom; porém seria um erro pensar que a unidade da igreja é fazer reuniões com todo o povo. Bem no começo da renovação nos libertamos da associação igreja-edíficio; porém muitos não conseguem libertar-se da associação igreja-reunião. A reunião conjunta é uma expressão da igreja, porém não é a única nem fundamental. Por muitos anos, a igreja por causa da perseguição não podia ter uma só reunião para expressar sua unidade; não obstante, funcionava como uma só igreja.

Não confundamos a unidade da igreja com estar todos debaixo de um mesmo teto, nem com uma só instituição legal, nem tampouco com a reunião . Nosso contexto de igreja é o que nos condiciona a pensar que esta conduta coletiva é a mais importante expressão da unidade da igreja.

A fim de ajudar a lançar alguma luz nessas questões, vejamos alguns ensinos de W. Nee, acerca das igrejas de Apócalise:

  • Tiatira representaria a igreja Católica
  • Sardes representaria a igreja protestante e denominações evangélicas
  • Filadélfia representaria a igreja restaurada, que vive em unidade
  • Laodicéia representaria a igreja orgulhosa.

Apesar de Nee ter desenvolvido seu ensinamento, a partir de outros estudiosos, como os Irmãos Unidos, em seu Livro, Ortodoxia da Igreja, ela induz a se concluir que a igreja em Filadélfia é a igreja que vive na base da localidade, tendo se cumprido parcialmente nos irmãos unidos e completamente na igreja local:

“Mas graças a Deus, a profecia de Filadélfia foi cumprida nos irmãos. Eles não mais têm qualquer outro nome característico. Eles são irmãos...” (Nee, W. A ortodoxia da igreja. Ed. Árvore da Vida, 3ª Ed, 1993, p. 79); “O perigo deles estar em perder o que já conseguiram. Assim, o Senhor pede a eles para conservarem o que têm...o seu perigo está em perder este amor e fidelidade. Que terrível! Mas de fato foi o que realmente aconteceu. Após vinte anos os irmãos foram divididos” (p. 82);

A fim de tentar explicar porque os Irmãos Unidos perderam a posição de Filadélfia, Nee assevera: “além do mais, creio que a carência desta época foi que os Irmãos Unidos não viram a base e o limite “locais” da igreja” (p. 82);

A igreja em Filadélfia estaria então sendo vivida entre aqueles que praticam o ensinamento de uma cidade-uma igreja: “Eles esqueceram que na Bíblia há uma e apenas uma igreja em cada localidade. As palavras faladas na Bíblia para a igreja são dirigidas para este tipo de igreja” (p. 83).

Entretanto, lendo os versículos referentes à Filadélfia, não se pode chegar à mesma conclusão, já que eles tratam de uma situação espiritual dos irmãos e não de conceitos acerca do que é igreja e do que não é igreja. Nee chegou àquela conclusão a partir do desenvolvimento do raciocínio linear do plano de Deus, o que pode ser válido como inferência, mas não como ensinamento já que não está claro no texto bíblico.

Posteriormente, Nee advertiu o perigo de desassociar o ensino da realidade dele:

"Não é minha intenção atacar o denominacionalismo do cristianismo como errôneo. Eu somente quero dizer que para que o Corpo de Cristo encontre uma efetiva expressão local, a base de comunhão deve ser verdadeira. E esta base é a relação de vida dos membros com o Seu Senhor e a sua desejosa submissão a Ele como o Cabeça. Tampouco estou pleiteando por aqueles que irão fazer uma seita carnal daquilo que se poderia chamar de "localismo" – isto é, a estrita demarcação de igrejas por localidades. Porque tal pode facilmente ocorrer. Se o que estivermos fazendo hoje em vida se tornar amanhã um mero método, tal que por seu próprio caracter alguns dos Seus forem excluídos, possa o Senhor ter misericórdia de nós e quebrar tudo! Porque todos aqueles em quem o Senhor, o Espírito, tem liberdade são nossos e nós somos deles. Não, eu estou pleiteando apenas por aqueles que verão o Homem celestial, e quem em sua vida e comunhão irão seguir após tal! Cristo é o cabeça do Corpo – não de outros "corpos" ou unidades da religião. Exclusivamente o envolvimento no Corpo espiritual de Cristo é que pode assegurar o comprometimento do cabeça conosco – os membros".

"What Shall This Man Do?" (tradução: O que deve este homem fazer?)

O próprio Nee, no final do capítulo acerca da igreja em Filadélfia, do Livro Ortodoxia, afirma que: “o movimento dos irmãos continua. E a luz da ‘localidade’ está cada vez mais clara. Até que ponto o Senhor irá trabalhar nós não sabemos. Podemos somente aguardar a história, então estaremos claros. Se nossa consagração ao Senhor é absoluta e nós mesmos somos humildes, pode ser que recebamos misericórdia para sermos guardados do erro.” (p. 84).

A história realmente tem mostrado alguns resultados:

- a igreja católica, as denominações e os irmãos unidos continuam e ainda continuarão até a volta de Cristo;

- as igrejas que têm-se levantado com base na unidade, ou para efeito de referência, igrejas locais continuam também, apesar de, em várias cidades, existirem mais de uma, o que cria a complexa situação de grupos que pregam a unidade, mas estão paradoxalmente divididos;

- várias igrejas locais passaram a seguir ministérios humanos e deixaram de ter comunhão com os demais membros do Corpo de Cristo, a não ser para levar alguma revelação e visão da tal unidade propagada, isto é, unidade em um ministério de um ministro.

Chegamos então à conclusão de que, se você não deseja reunir nas igrejas católica, evangélicas e com os irmãos unidos, e acredita que os grupos livros também esteja sujeitos à licenciosidade carnal (p. 84), sua única alternativa, segundo Nee, é viver com uma igreja local, para estar de acordo com o plano de Deus. Mas em qual igreja local? A que segue algum ministério ou a que não segue nenhum? Esse problema, talvez na época de Nee não existisse. E como saber se há grupos que estão praticando a visão adequada em uma cidade com mais de 1 milhão de habitantes, por exemplo?

Não creio que a premissa de Nee, de que a vontade de Deus esteja em levantar igrejas locais esteja correta, por que Deus não vê como o homem vê, Deus vê o coração! Não creio que Deus reserve o seu melhor para os seus filhos que se reúnam como igreja local, porque Deus não faz acepção de pessoas. Não creio também que as igrejas locais pratiquem a verdadeira unidade, posto que há pouco ou nenhum envolvimento com os santos que se reúnem nos grupos cristãos. Creio que essa unidade proclamada, na realidade, é a unidade de um grupo, isto é, a unidade das igrejas locais e não a unidade de todo o Corpo de Cristo, que envolve aqueles que estão nos sistemas religiosos ou não. Creio que a unidade das igrejas locais não é diferente da unidade que mantém, por exemplo, as congregações das Assembléias de Deus, das igrejas Batistas, dos Presbiterianos, dos Quadrangulares etc.

Por fim, creio que somente através da experiência prática com todo o Corpo de Cristo, e isto envolve, conviver com aqueles que se encontram nos grupos cristãos, podemos ser guardados de todo sectarismo.

No base nessas conclusões e retomando os estudos contidos na Ortodoxia da Igreja, podemos sugerir, a fim de acompanhar a evolução da visão da igreja através das eras, que:

a) as quatro últimas igrejas podem ser divididas em dois grupos:

- 1º grupo de TIATIRA (grupos católicos) e SARDES (grupos evangélicos, inclusive as igrejas locais);

- 2º grupo de FILADELFIA (igreja do amor fraternal) e LAODICÉIA (igreja da mornidão e soberba)

b) o segundo grupo seria composto pelo estado espiritual de alguns Filhos de Deus que estejam vivendo nos grupos católicos ou evangélicos.

Se essa conclusão estiver correta, no meio católico é possível encontrar irmãos vivendo no amor fraternal. Aliás, já ouvi relatos nesse sentido. Assim como no meio evangélico, pode-se identificar pessoas e grupos mornos ou soberbos.

E se determinado grupo evangélico, têm a visão da unidade do corpo e passa a viver com base nessa visão, eles deixam de ser evangélicos? É claro que não. A não ser que tenham vergonha desse termo ou de serem confundidos com os demais santos. É uma diferença muito sutil, mas oculta um grande mal: um coração divisivo, o coração daquele que se acha “diferente dos seus irmãos”. Talvez essa seja a raiz do recorrente fracasso da visão da unidade quando se tenta praticá-la.

Mas voltando a esse grupo de está praticando a unidade sem seguir a determinado ministério promovido pelos homens. Se esse grupo encontrar outro grupo semelhante, deverão ambos juntar-se? Estar debaixo do mesmo teto é imperioso para se viver a vida da igreja? Em Atos e nas Epístolas, os irmãos tinham de viver juntos, isto é, ter comunhão com todos na cidade toda? Para Nee, sim, a fim de serem guardados da divisão. Daí podemos questionar, onde está a divisão e onde está a unidade? Não está no nosso coração?

Em Canoas/RS, tivemos comunhão com um grupo de jovens cristãos neste ano. Eles também estavam saindo dos sistemas religiosos e, como nós, estavam procurando comunhão do Corpo de Cristo, fora da religião organizada. Tivemos uma agradável reunião. Trocamos telefones e e-mails e eles tomaram seu caminho e nós o nosso. Deixamos por conta o Espírito Santo juntar-nos ou não outra vez. Deixamos de ser um? Estamos divididos? Vejo que aí vem o equívoco das conclusões de Nee. Para ele, além de estarmos na unidade interior, precisamos de um grupo para exteriorizarmos essa unidade. Ocorre que, quando tal grupo se organiza, imediatamente ele começa a se fechar para os demais membros do Corpo de Cristo. Essa tendência espontânea, podemos chamar de “a armadilha da unidade”: quanto mais você quer ser um com alguns irmãos, mas você se divide dos demais.

Como resolver então esse dilema? Cabe a cada um encontrar a resposta. Entretanto, até o presente momento, creio de devemos estar claros quanta a esses pontos, a fim de não sermos enganados pelo inimigo de Deus. Também precisamos de uma visão clara quanto à atitude para com a visão da igreja, para com os grupos cristãos que pregam a unidade, para com as denominações e para os grupos ministeriais. Por fim, que direção devem seguir os grupos que saíram das igrejas denominacionais e também das igrejas locais.

1. QUANTO À VISÃO DA IGREJA

Sinto que a visão de que Deus deseja ter uma assembléia (ekklesia) onde podemos desfrutar a bênção do Salmo 133 deve progredir para uma visão superior, à do Corpo de Cristo. Se os irmãos recordam, dos aspectos da igreja, a ekklesia (assembléia) é a mais primária, pois a revelação divina prossegue para apresentar o CORPO DE CRISTO, A OBRA PRIMA DE DEUS, A FAMÍLIA DE DEUS, O REINO, O NOVO HOMEM, A GUERREIRA, A NOIVA, O TESTEMUNHO DE JESUS, O CANDELABRO DE OURO e por fim A NOVA JERUSALÉM. Diante desses aspectos tão elevados, a visão da assembléia ocupa uma posição de bem menos destaque, até semelhante ao dom de línguas em comparação ao dom de profetizar, onde ambos são bíblicos, mas são diferentes em nível de edificação. Entretanto, para a cultura humana ocidental que valoriza a vida em sociedade, a visão da igreja enquanto assembléia passou a ocupar a posição central da revelação divina, deixando de lados aspectos tão ricos e profundos. Pois bem. Por tal ênfase, passaram a surgir diferentes assembléias, cada qual enfatizando determinada doutrina e daí surgiram as grandes divisões do Corpo de Cristo. Após, seguiram-se irmãos que procuraram restaurar a vida da igreja adequada. Entretanto, a valorização da assembléia sempre continuou presente e por fim, tais movimento, empalideceram e esfriaram, como era de se esperar, com a introdução de doutrina humanas e de sistemas organizacionais para "ajudar a Deus" na promoção da unidade do Corpo de Cristo. Permitam-se transcrever algumas considerações de A. GIBERT:

"Que fazermos, pois? Acaso deveríamos reconstituir a igreja do princípio de Atos dos Apóstolos? Seria impossível. É um fato constatado em toda a Bíblia que Deus não restaura integralmente o que o homem arruinou. Antes, suportando-o com paciência, lhe dá qualquer coisa de MELHOR para substituir o que foi DESPREZADO...há porém uma coisa que os cristão dos nossos dias podem fazer, tal como os crentes do princípio: é obedecer à Palavra de Deus, a mesma que os apóstolos, já há tempo retirados do mundo, nos deixaram, depois de a terem transmitido fielmente, segundo a inspiração divina que receberam. O fundamento que eles puseram é imutável e é imprescindível que nos firmemos sobre este fundamento que é Cristo, Ele próprio, o Cristo dos evangelhos e das epístolas, e nunca sobre o fundamento do pensamento humano, de doutrinas teológicas ou de sistemas filosóficos ‘Porque ninguém pode por outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo’ (1 Co 3:11)” (A igreja ou Assembléia de Deus, DLC, 2a Ed., 1982, p. 26/27).

Por fim, tenho por certo que a visão da igreja é ampla, viva e crescente, devendo cada um de nós, na atualidade, desapegar-nos da visão da ekklesia e avançar para degraus mais elevados da revelação divina, sempre acompanhados da experiência sincera daqueles que buscam o propósito de Deus.

2. QUANTO AOS GRUPOS QUE PREGAM A UNIDADE

Como é sabido dos irmãos, dentro de uma mesma cidade, há grupos que, apesar de separados, pregam a unidade do Corpo de Cristo, assumindo a posição de igreja local, sem placas denominacionais. O curioso é que, apesar de pregarem a unidade, esses grupos vivem separados, o que comprova que a visão da assembléia é problemática, promovendo mais divisão que unidade. Note que, nos grupos denominacionais, os irmãos costumam visitar as diversas denominações e serem visitados por que todos são irmãos (família de Deus) e fazem parte do único Corpo. Mas nos grupos posicionados como igreja local, a situação é bem diferente. Há grupos em que os irmãos são orientados a não se misturarem, não partirem o pão com os "divisivos", não lerem outras literaturas, e a ficarem longe de outros ministérios ou práticas cristãs.

3. QUANTO AOS GRUPOS DENOMINACIONAIS

Penso que os grupos denominacionais, ao invés de serem atacados, precisam ser reconhecidos como que possuidores de ministros e santos dotados que foram dados para o Corpo. Tais ministros, quando fiéis, são um dom único que o Senhor entregou para o Seu Corpo e assim, podem e devem ser “usufruídos”, isto é, podemos ser ajudados por tais ministérios, separando o contexto religioso e carnal do espiritual, o qual Deus usa para suprir seus filhos. As práticas e ensinamentos, contudo, que não são bíblicos, devem ser denunciados, por questão de fidelidade à Palavra de Deus.

4. QUANTO AOS GRUPOS MINISTERIAIS

Têm surgido ultimamente no Corpo de Cristo vários grupos cristãos que não são nem locais, nem denominacionais. São os grupos ministeriais. Sua característica marcante é estar organizado como um ministério para suprir os cristãos denominacionais ou não, aceitando a ajuda de outros ministros, na forma de alianças ou simplesmente motivados pela comunhão. Tais grupos são mais abertos que os grupos denominacionais e geralmente trazem sua marca ministerial no que quer que façam. Não há ênfase em determinada doutrina ou prática. São mais ecléticos e aceitam de bom grado a ajuda de ministros desde que reconhecidos pelos santos.

5. QUANTO AOS GRUPOS PÓS-LOCAIS ou PÓS-DENOMINACIONAIS

Quanto aos santos que saíram do movimento das igrejas locais (item 2), ou das denominações (item 3), qual seria o caminho a seguir?

De acordo com a visão ampliada do Corpo de Cristo, necessitamos:

  • promover a edificação do Corpo de Cristo junto com os que têm o mesmo sentimento (1 Co 14:26);
  • Usufruir dos ministérios dados ao Corpo, incluindo reuniões, livros ou comunhão com todos os santos, livre de preconceitos ou quaisquer outras barreiras (Ef 2:19-22), incluindo comunhão com os grupos cristãos, a fim de evitar o sectarismo;
  • nunca deixar de se reunir de casa em casa, partindo o pão e perseverando na comunhão do ensinamento dos Apóstolos (At. 2:42);
  • pregar o evangelho do reino, batizar e conduzir os novos a uma vida simples, sincera e viva, digna da família de Deus (Mt 28:19-20);
  • reunir como assembléia (grandes reuniões) somente quando surgir uma necessidade específica, urgente ou relevante para testemunho da unidade e das virtudes de Cristo no Seu Corpo, que é a igreja. Todos os santos movidos pelo Espírito podem convocar tal reunião o que será confirmado ou não pelo espírito dos demais, não havendo necessidade de esperar que a “liderança” tome a iniciativa, porque a liderança é o próprio Espírito e, se o Espírito é o mesmo, ele se encarregará de confirmar tais sentimentos (At 11:26, 14:26, 15:30,31).
  • Por fim, necessitamos sempre lembrar que, tanto as pequenas reuniões familiares como as grandes convocações, são para TODO O CORPO e não para um grupo de irmãos que se conhece e que já esteja “enturmado”. É por isso que não se deve esperar que algum líder especial tome a iniciativa de nada. A beleza e graça da igreja é justamente o contraste entre seu aspecto exterior caótico e, ao mesmo tempo, sua harmonia e paz interior, como ocorria no Tabernáculo. Por isso é tão difícil Satanás apanhá-la. Quando pensa que vai atacar em algum lugar, a assembléia se dispersa e vai para outro. O reino aparece e desaparece com uma rapidez fantástica. Quanto Satanás tenta atacar um líder, vê que o mesmo não é líder de nada. Satanás então fica confuso, porque vê que os irmãos são como o vento que não sabem de onde vêm nem para onde vão, guiados apenas pelo misterioso Espírito Santo. Como atacá-los se eles não param nem se prendem a nada terreno, nem agem conforme a lógica humana? Seria isso possível?

A vitória que vence o mundo é a nossa FÉ!



(1) Vide texto A Parábola dos Três Grupos

(2) Termo utilizado para designar o sentimento de que a igreja local é o objetivo supremo de Deus na Terra, desprezando o plano de Deus que é a edificação do Corpo de Cristo como um todo orgânico, um edifício e uma lavoura, uma família e um novo homem, um candelabro misterioso e maravilhoso.

(3) Vide texto Exclusivismo

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