O VASO, O MINISTÉRIO E A VERDADE

É totalmente improdutivo tentar buscar evidências de homologação do Espírito Santo sobre uma determinada obra, na história da vida pessoal do vaso eventualmente utilizado. TODO O VASO É DE BARRO, portanto escavar a vida pessoal de algum ministro simplesmente você descobre e constata o óbvio, já solenemente registrado na Bíblia: ‘todos pecaram e carecem da glória de Deus’!

Para mim, e segundo o meu modesto entender das escrituras, a base da homologação do Espírito sobre uma obra não está no vaso! A Bíblia está cheia de exemplos de vasos ‘duvidosos’ segundo os padrões religiosos e até humanos, sendo utilizados pelo Espírito, que até usou um jumento para repreender Balaão! O Senhor disse que, pelos frutos, conhecereis a árvore e, na verdade, precisamos aprender, cada um, a identificar os frutos, e a seguir o Espírito segundo a escritura, e não seguir homens. É CRISTO quem PESSOALMENTE lidera o Seu povo hoje por meio do Seu Espírito, e isto está na Escritura. O tempo de Deus usar um vaso representativo ‘à lá Moises’ já passou há muito, mas pelo jeito alguns ministros não gostaram disto e tentam seguir o caminho de João Batista.

Quando surge o enfoque de difamar algum ministro qualquer, mesmo que seja expondo fatos verídicos, por trás disto existe um pressuposto tácito de que o viver do vaso deve servir de respaldo para considerar que a obra deste vaso não seria homologada pelo Espírito Santo. Assim, nessa lógica, se alguém conseguir provar que o vaso é pecador, conseguirá desacreditar o que o Espírito fez através dele, jogando tudo fora.

No mesmo nível de falácia estão os outros, os que ficam defendendo a reputação do tal vaso, pois lutar contra os opositores, não percebendo que ao fazer isto estão admitindo a mesma premissa, a de que a reputação do vaso é fundamental para dar credibilidade de que tal vaso tenha sido usado pelo Espírito! E ai é que está a armadilha! Não vão conferir nas escrituras, como fizeram os de Beréia. Ficam primeiro querendo conferir e questionar a reputação do vaso para ver se vão ouvi-lo, ao passo que os de Beréia não sabiam e nem tinham como saber de fonte confiável qual era a reputação e a conduta pessoal de Paulo e seus cooperadores, mas conferiam tudo nas Escrituras.

Na verdade, quer você condene, quer você aprove e louve, você está sempre julgando alguém. Para mim este papel compete ao Senhor, Aquele que dá a palavra final, em todos os assuntos.

Esta situação demonstra que quem pratica esta busca de credibilidade em uma palavra ou obra com base na reputação do vaso não é alguém mais nobre, como a Bíblia qualificou os de Beréia. Mas com toda esta evidência da Escritura, ainda assim, mesmo entre os que presumivelmente eram para estar mais constituídos das palavras elevadas da Economia Divina, encontra-se esta atitude ‘menos nobre’ de buscar qualificar ou desqualificar um vaso antes de ouvi-lo.. É mais cômodo escolher quem ouvir e se fechar para o resto. Com certeza estes jamais se dignariam a ouvir o testemunho da mulher samaritana em João 4, muito menos creriam nela, caso se dessem ao trabalho de ouvi-la. Para esta atitude religiosa, o Senhor enviou João Batista respondendo aos farizeus que era apenas uma voz no deserto, ou seja ninguém! É nesta situação que estou encontrando a grande maioria dos santos das várias tendências de igrejas locais. Todos jurando que não tem nome e não seguem homens.. ‘igreja local’ e células são o ‘mover da moda’ no meio cristão, só aqui na região conheço mais de 20 igrejas locais na mesma cidade. Para esta geração só haverá o sinal de Jonas, um profeta que obedeceu a Deus contra a sua vontade. Se a existência de denominações confundia os incrédulos, a multiplicidade de “unidades” na mesma cidade, certamente, confunde muito mais.

O Corpo de Cristo foi e está sendo abençoado com uma grande quantidade de ministros preciosos. No caso do irmão Lee, por exemplo, eu descarto qualquer busca de credibilidade desse vaso. Ainda que críticas contra sua pessoa sejam verdadeiras, ainda assim, sei muito bem o que ganhei de Cristo através da palavra do ministério dele. Hoje já não preciso mais do Estudo-Vida para navegar à vontade na preciosa escritura, pois segui o conselho do irmão Lee e usei os estudos dele como forma de ir à Bíblia e conferir a escritura, e nesta ida, descobri e continuo descobrindo Cristo de uma forma que jamais vou esquecer. Desde os anos 70 acompanhei os estudo-vida, quando começou-se a estudar Gênesis, e ai levamos 8 anos estudando o Pentateuco, e depois mais 12 anos estudando o Novo Testamento. Assim, hoje posso dar testemunho a respeito da Palavra, mas não tenho pretensão alguma de dar testemunho sobre o vaso (positivo ou negativo), a quem só conheci pessoalmente uma vez em uma reunião de líderes das igrejas, quando ele esteve aqui no Brasil em 1984!

Quando Deus levanta um Ministro, Deus também lhe dá uma incumbência. Enquanto o Ministro se mantiver fiel a essa incumbência, sempre terá um rico suprimento de vida para canalizar ao Corpo de Cristo. Mas, no dia em que extrapolar essa incumbência, o declínio de seu Ministério também será evidente. Para chegar a essa conclusão, basta comparar os escritos de qualquer Ministro e veremos que há momentos muito ricos e outros nem tanto. Assim eu entesouro esta palavra maravilhosa liberada pelos santos, e não julgo o vaso, pois não me considero juiz de ninguém, e o melhor é que nem preciso julgar. Me basta ter a escritura como referência, e tenho hoje a liberdade de examinar tudo e reter o que é bom, sem precisar fazer a pergunta que os farizeus fizeram para João Batista (quem és e com que autoridade....).

Dentre as lições que se pode tirar a respeito dos eventos e experiências destes vasos que nos antecederam, acho que a mais importante é que a obra de Deus não se baseia na reputação de um vaso, mas sim na reputação do Cabeça – CRISTO. A segunda lição é que o mover de Deus hoje não é baseado no ministério pessoal de quem quer que seja, por melhor vaso que seja, como se buscássemos um novo ‘Moisés neotestamentário’ para dar direção para a Igreja Universal hoje na Terra, mas novamente este mover é conduzido por CRISTO E A IGREJA. E até nisto o irmão Lee foi fiel no Estudo-vida de Efésios, quando explica claramente que O MINISTÉRIO neotestamentário, para o qual TODOS os outros ministérios eram, é o ministério DOS SANTOS (nota 3 do verso 4:12 da RV). Lembro quando ganhei esta luz naquela época tive dificuldade em entender por anos porque os outros irmãos, apesar de terem estudado a mesma revelação, continuavam tratando o ministério do irmão Lee como se fosse O Ministério, e pela lógica emocional-subjetiva humana, tacitamente acabavam considerando o irmão Lee como o único ministro do Corpo de Cristo, já que precisavam exaltar o vaso para poder crer nas palavras, que pelo jeito não compreendiam bem, ou pior, faziam de conta que compreendiam, quando muitos na verdade nem mesmo tinham lido (as atitudes e testemunhos diante dos santos em várias situações demonstravam bem isto)!

No momento em que confiro a palavra e busco nela o Autor da Vida (cf. João 5:39;40; At. 3:15), sempre vou descobrir este Cristo maravilhoso de uma forma única e especial, e vou sentindo que também estarei sendo conhecido por Ele (1 Co 8:3), assim posso testificar que já não é mais porque o irmão Lee falou que creio (cf. João 4:42), mas eu mesmo tenho ouvido e sabido que verdadeiramente é este CRISTO maravilhoso é quem tem se desvendado a mim de forma que não tenho palavras para explicar. Assim, a reputação do(s) vaso(s) por meio de quem a palavra chegou até mim não é relevante para a minha fé (1 Co 2:4,5), porque a fé que tenho não é uma mera crença (Hb 11:1-3), como usualmente entende a religião e o homem natural, mas o próprio Cristo manifestado (2 Co 3:18; 4:6), escrito (Tg 1:21) e depositado em mim (2 Tm 1:14), sendo viva e poderosa para me guardar Nele todos estes anos, a despeito de tanta frustração, sofrimento e desilusão (1 Pe 1:5-9). Todos os vasos cumprem seus papéis e saem de cena (João 3:27-30). Porque seria diferente com o irmão Lee? Estou pasmo porque ao que parece estão tentando consolidar o seu legado para de alguma forma assumirem a “herança” para continuidade do legado, aliás algo similar ao que o irmão Lee tentou fazer em relação ao ministério de Watchmann Nee. Não encontro no Novo testamento nenhum exemplo de comissionamento, e por via de conseqüência um ministério, que sejam passado por herança, e não levantado diretamente pelo Senhor.

Das igrejas locais, isto é, daquelas que pregam a unidade, mas se dividem entre si, há situações dramáticas, como aquelas citadas no meu site. Mas, pela experiência e observação, creio que qualquer grupo, localista ou não, pode cair na mesma situação. Basta que não haja interesse de fato em valorizar ou buscar a verdade acima de tudo. Precisamos nos lavar da mentira diabólica que questionar conceitos, práticas ou interpretações provocam divisão. O questionamento, sem dolo, não tem como objetivo discutir opiniões (2 Tm 2:14), mas visa buscar a palavra da verdade de todo o coração (Sl 119:1, 4, 11...). E se nós, nos itens acessórios ou secundários da fé, sentimos ou pensamos algo diferente, Deus nos esclarecerá (Fp 3:15). Como crentes, precisamos crer nisso. Caso contrário, quanto valerá nossa fé (1 Pe 1:7)? A verdadeira fé cristã não é seletiva: ela crê na Palavra ou crê na Palavra. Não há outra opção nesse caminho que escolhemos.

Assim, hoje prefiro a liberdade de buscar a verdade, sem precisar defender reputações de terceiros, dogmas e revelações baseadas em meras inferências bíblicas. Jesus é a verdade (João 14:6) e é Essa Verdade que nos liberta (João 8:32), portanto porque ter medo da verdade ou de relatos históricos do passado, sejam bons ou ruins? Se esses tais não forem a verdade, não sobreviverão à luz da comunhão de Cristo (2 Co 3:17 e João 16:13,14). Qual o problema? Dificuldade em crer que 2 Co 3:17 e João 16:13,14 funcionem? Deixe que falem, discutam, caluniem, etc. Não é isto que o Espírito diz em Ap. 22:11? Pratiquemos 1 Ts 5:21, examinando à luz da escritura, na comunhão do Espírito, e não de acordo com preconceitos ou com a lógica emocional-subjetiva humana.

Seja quem defende, seja que ataca os vasos de Deus, todos estão incidindo no farizaismo de questionar a credibilidade de uma palavra meramente com base na reputação do vaso, como se tal fosse relevante! Nenhum destes aceitariam o testemunho de João Batista ou da mulher samaritana. Para mim, defender ou acusar os ministros de Deus, demonstra a situação lamentável de alguns santos que, mesmo expostos às ricas palavras que lhes foram apresentadas, pouco retiveram.

Que cada um, eu e você leitor, julguemos a nós mesmos para não mantermos apenas a forma de piedade, mas sem o poder para que haja, pelo menos, mudança na nossa própria vida (2 Tm 3:5); para que não estejamos sempre aprendendo, mas não consigamos chegar ao pleno conhecimento da verdade (2 Tm 3:7). Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós e nos guie pelo caminho eterno!

“E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139:24).


Em Cristo,


Paulo Fernando
voznaweb@gmail.com

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