Quem é esta que sobe do deserto? (Ct 3:6a)

Você certamente já percebeu que a igreja não é um prédio, nem um grupo de pessoas. Mas, na sua experiência, o que ou quem é a igreja? Ou por outro lado, o que não e igreja?

  1. A igreja é maravilhosa, não somente o projeto, mas a realidade de toda a herança divina legada aos filhos de Deus. É uma experiência única que todo ser humano jamais sonhou e que todo filho de Deus sempre anelou.
  2. A igreja é misteriosa. A igreja, longe de ser um “amontoado” de cristão, é uma ambiente, um convívio, uma experiência, um viver...uma esfera onde se vê Deus, se sente Deus e se ouve Deus. É algo inexplicável, mas verdadeiro e marcante. É um mistério.
  3. A igreja é um caos vital. A igreja não admite organização, sistematização ou qualquer ingrediente que não seja o Espírito Santo. Ela se espalha e se ajunta, ela, do nada, aparece e desaparece. Ela, aparenta estar morta, mas eis que vive! Ela se dilui pelo mundo, nos lugares mais absurdos, lá está ela, brilhante nas trevas; ela rega a terra seca, mas, ao menor toque humano ela se evapora. O espírito a faz surgir e o homem, quando tenta organizá-la, a faz desaparecer.
  4. A igreja é insuscetível de apropriação. Em menor ou maior intensidade, todos cristãos já tocaram na igreja ou foram tocados por ela. Tal toque divino, certamente curou chagas e gerou um apreço muito grande e inexplicável por Cristo. Espontaneamente, criou-se a necessidade legítima de reter a igreja, de agarrá-la e não deixá-la sair mais, porém é impossível reter a igreja. Ela não pode ser apropriada por ninguém, pois já tem proprietário único: Jesus. Por não conseguir retê-la, a quase totalidade dos cristãos cria uma réplica, extremamente parecida, uma “pequena lembrança” do original, mas a igreja não admite apropriação ou reprodução humana. Seria como tentar reter um arco-íris, uma alvorada, um sorriso de uma criança ou da pessoa amada ou um belo por do Sol.
  5. A igreja é possível. Apesar dos atributos acima, a igreja é possível, mas ela é totalmente inviável para os homens. Onde ela está? Como encontrá-la? Temos de admitir que precisamos de visão, realidade e amor de Cristo. Quando o Senhor nos conceder tal graças, teremos de fazer a escolha:

a) A visão. Quando abandonarmos todas as coisas (interiores), nosso conhecimento, nosso ego e nossas opções e, sinceramente pedirmos a Deus que nos mostre o que está no Seu coração desde a eternidade, Deus nos revelará a igreja.

b) A realidade. Você está nela. Após crer no Senhor, nós não passamos a “flutuar” por aí, antes, formos enxertados na igreja, passamos a fazer parte dela organicamente. A vida que flui nela, agora flui em nós, e nós e ela somos um só e não há como reverter isso. Graças a Deus!

c) O amor. Quando experimentarmos a realidade, espontaneamente passaremos a amar os santos porque um amor inexplicável brotará em nós. Cada filho de Deus passará a ser um irmão íntimo. Pessoas que acabamos de conhecerá parecerão velhos, bons e eternos amigos.

d) A escolha. Após ter a realidade, a visão e o amor, teremos de fazer escolhas. Satanás irá oferecer tudo o que puder para afastar-nos da realidade da igreja. Ele usará até mesmo nosso conhecimento, lógica, justiça e nossa experiência para destruir a praticidade da igreja. Ele nós tentará com planos e estratégias. Ele tentará nos convencer de que temos de “ajudar a igreja”, para “cooperar com o mover”. Cada um de nós terá então de fazer escolhas e, dependendo do que escolhermos, a realidade da igreja pode ir ou ficar. É necessário que todo cristão passe por essa experiência de escolha, para que sua fé seja provada e se torne tão preciosa como preciosa é a igreja.

e) O único lugar. Por fim, desconfie de quem diga que há um único lugar físico para se adorar a Deus. Seja um monte, um poço ou um templo santo. A vida de igreja não está restrita a templos ou quaisquer eventos promovidos pelos homens. A igreja só é possível no espírito humano (Jo 4:23). A verdadeira e maravilhosa vida da igreja pode ser vivida em qualquer sistema religioso, isto é, ela pode subsistir em todas as sete igrejas de Apocalipse 3. Caso assim não fosse, só poderíamos chamar de igreja a igreja em Filadelfia. Mas Deus não somente chama as demais de igreja como ainda diz que elas são de ouro, isto é, são constituídas da natureza de Deus (Ap 1:11,12)! É razoável concluir-se então que, em um mesmo ambiente alguns podem estar vivendo a vida da igreja, e outros não. Em um mesmo lugar, uns podem estar praticando Filadelfia, e outros Laodicéia. Tudo depende se você está no espírito ou não, se você ama os santos ou não, se você permite que Deus viva em você e se expresse através de você, ou não. Não depende inteiramente do ambiente, depende do seu coração. Sendo assim, como dizer que há um único lugar na cidade? Para fazer tal afirmativa, seria necessário prescrutar o coração de todos os filhos de Deus na cidade, o que só é possível ao próprio Espírito de Deus (1 Co 2:9-14). Como dizer que em tal lugar há o testemunho da unidade? Isso significa que em todos os demais locais e em todos os demais corações há um testemunho de divisão. Por outro lado, Isso significa também que todos os corações que vivem nesse tal testemunho de unidade são um, não possuem divisões, não há fofocas, não há partidarismos e vivem em unidade contínua com o Pai e com o Filho? Como garantir isso. Parece não ser esta a maior preocupação de Deus nesta era. Veja os Evangelhos. Se você pudesse resumi-los, qual seria a mensagem central? Amor. Veja as cartas de Paulo. Qual é a mensagem central? Espírito. Veja Apocalipse. Onde estão as reuniões da igreja, os serviços da igreja e os ofícios? Vemos apenas candelabros de ouro e um semelhante ao Filho de Homem (Ap. 1:13). Vemos também selos, trobetas, taças, bestas, babilônias, mas, por fim, vemos uma Cidade Santa, composta de todos os filhos de Deus, que estávam no tal testemunho da unidade e os que estavam fora dele. O que é importante enfim? Dizer que você está dando o testemunho da tal unidade, ou viver esse testemunho e deixar o reconhecimento para Deus? Não é nossa convicção que produz a unidade, mas o ser um com o Pai e com o Filho (Jo 17:21-24). É claro, que há ambientes que são mais propícios a se crescer em Cristo e outros...bem...que não são tão agradáveis. Certamente é mais agradável viver em Filadelfia do que em Sardes. Mas onde está uma e outra, senão no meu espírito? Teremos de fazer opções, e o Espírito está ansionso a nos guiar em toda a sabedoria. Mas uma coisa é certa, Deus não está onde há divisões e contendas entre os irmãos (Pv 6:16-19). Por isso, estejamos onde estivermos, esforcemo-nos para preservar a unidade do Espírito no vínculo na paz! (Ef 4:3)

Que o Senhor nos guie para a realidade de todoas as coisas.

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