COMUNHÃO EM PORTO ALEGRE E CANOAS

Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Is 58:7

Damos graças ao Senhor pela visita de nossos irmãos DAVID DYER (VITÓRIA/ES), GERALDO (VITÓRIA/ES), SILVIO MARIA (RIO GRANDE/RS) e ALCIDES JUNIOR (CAXIAS DO SUL/RS). Os irmãos nos confortaram e nos encorajaram com uma doce comunhão. Dela, extraímos preciosas lições que gostaríamos de compartilhar com o Corpo de Cristo.



I. A REVELAÇÃO
A. CONSTATAÇÃO
Os grupos cristãos que mais recebem as riquezas de Cristo em Sua Palavra, inexplicavelmente menos se dispõem a servirem ao Senhor. Essa constatação nos mostra o grande “perigo da revelação”. Pedro recebeu a revelação do Senhor, mas, logo em seguida O negou e, após a morte de Cristo, voltou para sua antiga profissão (Mt 16:17; Jo 21:3).

B. A BABILÔNIA
Alguns cristãos fundamentalistas interpretam a Babilônia como sendo os falsos cristãos, cristãos que supostamente não praticam a unidade do Corpo de Cristo ou ainda a igreja católica romana. Entretanto, lendo atentamente Apocalipse, não vemos nenhuma referência de que Babilônia sejam cristãos religiosos, nem que haja duas Babilônias, uma política e outra religiosa. A Babilônia, no novo testamento está em oposição à igreja, assim como o lago de fogo está em oposição à Nova Jerusalém. Se ela está em oposição à igreja, ela não é a igreja. A Babilônia não deve ser um sistema religioso, pois, se assim o fosse, porque o Senhor teria dito “sai dela povo meu” e ainda assim continuaria nela, salvado e restaurando as pessoas. Como Ele poderia pedir-nos para sair enquanto Ele mesmo fica? Assim, é provável que Babilônia seja um sistema econômico, onde tudo pode ser comercializado, inclusive almas humanas (Ap 18:13). Nesse sentido, também é possível que no meio dos cristãos haja algo “babilônico”, mas isso não nos autoriza a afirmar que alguns cristãos sejam a Babilônia.
Ao invés de nos afastar dos nossos irmãos, vemos nas atitudes de Jesus, que devemos estar procurando ter comunhão com eles. Enquanto no seu ministério terreno, o Senhor sempre procurava os seus. Ele tinha o hábito de ir às sinagogas. Essas mesmas sinagogas que não haviam sido prescritas na Lei, mas que foram criadas pela religião judaica. O que o Senhor fazia nesse lugar? Ele ia procurar ter comunhão com os seus (MT 12:9, 13:54; Mc 1:21, 3:1; 6:2; Lc 4:16). Esse hábito, inclusive, foi seguido pelos apóstolos (At 14:1, 17:10). Hoje, essa deveria ser nossa disposição: procurar comunhão e não fugir dela.

C. O CORAÇÃO DE DEUS
Se há um sentimento que pesa no coração de Deus hoje é a situação da igreja (Mt 9:36; 14:14; Mc 1:41; Lc 10:33, 15:20, Mt 23:37). Entre os cristãos hoje, quanto pecado há, quantos desvios, quanta doença (1 Co 11:30).

II. O AMOR E O CORPO
A. O CORPO
O contexto de 1 Co 11:20-34 é o egoísmo e a falta de amor entre os irmãos. Aqueles que tinham mais, ao invés de repartir com os que menos tinham, isolavam-se e comiam apressadamente. Discernir o Corpo de Cristo é atentar para o Corpo, envolver-se com ele e amar nossos irmãos, e não simplesmente pregar uma doutrina da unidade. Discernir o Corpo é repartir com os santos o que o Senhor nos deu, recolher na nossa casa os pobres e cobrirmos a sua nudez (Is 58:7). Do ponto de vista espiritual, o Senhor tem dado algo para nós, tem colocado comida farta no nosso prato para que possamos repartir com os demais (Ne 8:10). Esse é um caminho sobremodo excelente (Mt 13).

B. O AMOR
"Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." (Jo 13:34-35)
A evidência maior da vida cristã não é o conhecimento, é o amor. Na sociedade moderna, somos levados a nos distanciar uns dos outros (Mt 24:12). Por isso, não sabemos as dificuldades uns dos outros, para nos ajudarmos ou, ao menos, orarmos uns pelos outros (Rm 12:9-13, Tg 5:16, 1 Co 12:24; 2 Co 9:12; 1 Ts 4:9; 1 Pe 1:22; 1 Jo 13:11, 14, 16-18). Os membros de uma família unida, geralmente cuidam das necessidades uns dos outros e encorajam-se mutuamente, porque se amam. A igreja foi projetada e produzida para viver como a família de Deus (Ef 2:19; 1 Tm 5:4).
Aqueles que têm muita revelação, não necessariamente são os que mais amam, talvez por causa da falta de luz. Mas, quando somos iluminados pelo Senhor, vemos nossa situação e o quanto Deus nos perdoou: a quem muito é perdoado muito ama (Lc 7:47).
Nossos parentes, vizinhos e colegas de trabalho estão aguardando para conhecer esse amor com o qual nos amamos e através do qual fomos amados por Deus. Eles aguardam algum fruto e “o fruto do Espírito é: amor...” (Gl 5:22).
Como nossa família e nossos conhecidos nos vêem? Eles nos vêem como pessoas que estão prontas a ajudá-los? Às vezes, a ajuda pode ser somente ouvi-los.
De que adiantam as verdades bíblicas? Elas só são úteis na medida em que levam os filhos de Deus a expressarem Cristo. O verdadeiro avivamento ocorrerá quando o mundo enxergar Cristo em nós, o Cristo que ama e morre pelos outros.
Não há necessidade de buscar um grupo correto ou criar um grupo novo; o “grupo” já existe, é a igreja. Deus já se encarregou de “criar” o grupo e vai edificá-lo.

C. A DIVISÃO
A verdadeira divisão não está no entendimento de princípios espirituais ou de “verdades e revelações bíblicas”. A verdadeira divisão está no coração do homem (Mt 15:19; Pv 4:23; 1 Sm 16:7; Tg 3:14, 16; Dt 15:9; Pv 6:16, 17).
É possível que em um grupo que se declare testemunho da unidade haja terríveis divisões. Há cidades, onde há vários grupos que se dizem a igreja na cidade e, no entanto, vivem divididos e alguns até contendem entre si.
Deste modo, qual é a utilidade da doutrina da localidade? Qual o resultado dessa pregação? O Senhor nunca nos pediu para pregar a igreja ou o Corpo. O evangelho é a pregação da boa nova do Cabeça, de Cristo! O evangelho não é a pregação de uma boa doutrina; é a apresentação de uma pessoa.
As divisões e confusões no Corpo de Cristo são causadas pela imaturidade dos cristãos e não pela falta de entendimento sobre alguma verdade bíblia. A melhor maneira de tratar com essa situação é compartilhar com nossos irmãos o Cristo que temos desfrutados. Quanto maior for o crescimento, o problema da divisão se tornará cada vez menor (Ef 4:13). Encher uma casa de crianças sem a presença de adultos certamente redundará em confusão, sujeira e brigas. Mas quando essas crianças crescem, elas deixam as coisas de criança e aumentam sua percepção das coisas espirituais (1 Co 13:11; 14:20; Hb 5:13).

III. SEREMOS JULGADOS PELAS OBRAS
Levar os irmãos a crescerem era o objetivo do ministério de Paulo (Cl 1:28; 2 Tm 3:16-17). Será considerado servo bom e fiel aquele que levar sustento ao seu conservo (Mt 24:45-51). Fomos todos chamados para sermos mordomos. A função do mordomo é suprir as pessoas com alimento. Será considerado um mordomo fiel, não aquele que estiver “falando”, mas o que estiver “fazendo assim” (Lc 12:43; Tt 1:16, 3:14).
A Bíblia nos mostra claramente que não seremos julgados:
- pela forma de pensar;
- pelos conceitos sobre itens espirituais; ou
- pela forma de reunir.
Seremos julgados pelas obras. Entretanto, estando juntos, poderemos ser estimulados ao amor e às boas obras (Hb 10:24).

As boas obras estão relacionadas ao amor. O Amado de Cântico dos Cânticos se recusou a entrar no quarto da Amada, com o objetivo de levá-la a sair e servir com Ele, porque, servindo, ela provaria o Seu amor (Ct 2:9-12). Apesar do apelo do Amado (Ct 2:13), a Amada preferiu ficar na sua cama (Ct 3:1; 5:2-6).
Não é essa a situação da maioria dos cristãos? Deitados e sem a expressão de Cristo? Hoje, é muito fácil ser um cristão 3 “s”:
- sentado
- salvo
- satisfeito
Mas, de noite, quando a Amada percebeu que estava sozinha, ela tomou uma decisão: sair do seu comodismo e passar a procurar o Amado. Ela descobriu então que seu amado havia descido para apascentar no jardim e para colher lírios (Ct 6:2). A Amada então o segue descendo ao Jardim para ver os frutos e se havia flores (Ct 6:11). Quando ela desceu, pôde testificar que: Antes de eu o sentir, me pôs a minha alma nos carros do meu nobre povo (Ct 6:12). Saindo de sua posição confortável, ela começou a desfrutar do Senhor e sentiu, de novo, o Seu amor, juntamente com seu nobre povo, e notou como Ele tinha saudades dela (Ct 7:10). Após isso, a Amada passa a tomar a iniciativa de conduzir o Amado:
Vem, ó meu amado, saiamos ao campo, passemos as noites nas aldeias. Levantemo-nos cedo de manhã para ir às vinhas; vejamos se florescem as vides, se se abre a flor, se já brotam as romeiras; dar-te-ei ali o meu amor. As mandrágoras exalam o seu perfume, e às nossas portas há toda sorte de excelentes frutos, novos e velhos; eu tos reservei, ó meu amado (Ct 7:11-13).


IV. A ABERTURA
Como fazer para que esse amor aumente em nós? Não há estratégias nem fórmulas. Mas, em primeiro lugar, é necessário nos abrimos ao Senhor. Se estivermos abertos, o Senhor nos suprirá e nos levará a repartir esse amor uns com os outros. As pessoas necessitadas virão. Não se preocupe, isso é um problema do Senhor. Ele edificará a igreja. A nossa parte é nos abrirmos para receber mais de Cristo. Quanto mais de Cristo tivermos, mais amor expressaremos, mais dons teremos; com os dons mais serviços e com eles mais experiências.

V. PEDIR, BUSCAR E BATER

A. A SOLUÇÃO PARA NOSSAS CARÊNCIAS
Quando um filho tem necessidade, o Pai prontamente a supre. O pai está vendo nossa necessidade e está “ansioso” para supri-la. Ele quer apenas que façamos três coisas:
• pedir
• buscar
• bater

B. ESTAR CHEIOS DO ESPÍRITO (Ef 5:18; At 13:52; 1 Co 2:4; 2 Co 3:8; 1 Ts 1:5)
Quando o Espírito vem, o amor do Pai e a graça do Filho vêm juntos. Não precisamos pedir amor, porque o Espírito já foi derramado em nossos corações, mas Deus quer saber de uma coisa: você quer estar cheio do Espírito? Todo o resto virá. Isso não depende de conhecimento, depende apenas do Espírito.
O Senhor Jesus sempre vivia com pessoas simples; às vezes, elas até cheiravam mal, mas Ele não as evitava, por que estava cheio de graça e realidade.
O Espírito e a noiva dizem vem. Estar aberto para o Senhor é o primeiro passo; pedir, buscar e bater é o segundo passo e o resultado será: ser cheios do Espírito.

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