Será que a Igreja Emergente é Totalmente Emergente?

Um convite para a reflexão e o diálogo aberto
por Frank Viola
Parte 2



2. O fenômeno da igreja emergente tem negligenciado o papel dos Plantadores Itinerantes.

Ao longo dos últimos anos, tenho observado um certo número de leigos deixar suas atuais congregações para iniciarem novas igrejas. Surpreendentemente, estes leigos sempre se tornam os pastores destas novas igrejas. Com algumas pequenas exceções, o novo odre se torna idêntico ao velho odre que tinham deixado.
Permitam-me ampliar esta observação com um princípio. O clero, a liderança da igreja institucional, é como um elástico. Não importam as experiências adquiridas no caminho da restauração ou da reforma, ele sempre retornará de volta para a mesma estrutura. Ela vive em novidades e esquemas engenhosos. Mas, quando a fumaça se desfaz, ela vai sempre voltar apara um pastor que prega sermões a uma congregação passiva, uma forma de culto pré-estabelecida onde boas pessoas não são livres para funcionarem sem obstáculos nas reuniões, e um edifício cujo arranjo estrutural incentiva as pessoas a se tornarem silencias espectadoras.
Com toda a nossa ênfase em sermos fiéis em relação ao Reino de Deus no mundo de hoje, temos ignorado um ingrediente importante para a vida de fé na igreja que está claramente prevista em todo o Novo Testamento: o paradigma da forma saudável como as igrejas foram plantadas quando elas eram jovens, livres e puras.
Tenho abordado este assunto em pormenor no meu livro VOCÊ QUER, REALMENTE, COMEÇAR UMA IGREJA EM CASA? EM BUSCA DO NASCIMENTO DE UMA EKKLESIA: http://www.ptmin.org/start.htm. Para resumir muito brevemente, trata-se de descobrir a ordem como as idéias do Novo Testamento nos foram dadas:

A. Os plantadores de igreja foram homens que viviam anteriormente em uma expressão orgânica da igreja, mas não viviam como líderes, antes que eles foram enviados para plantar igrejas. Um dos principais motivos: Precisavam primeiramente da experiência que iriam transmitir aos outros e outros locais.

B. Os plantadores de igreja foram especialmente equipados para conduzir as pessoas para terem um encontro com Jesus Cristo, para ensiná-los para funcionar em uma reunião da igreja, e para resolver os problemas que a igreja enfrentaria no futuro.

C. Após equiparem devidamente a igreja com o objetivo de funcionarem sob a direção de Jesus Cristo, os plantadores deixavam suas próprias igrejas, sem instituírem quaisquer líderes! (Em alguns casos, os plantadores de igreja mais tarde regressavam e confirmavam os anciãos diante de situações especiais de crise pessoal pelas quais passava o povo de Deus, mas os anciãos nunca monopolizavam o ministério, nem assumiam a direção da igreja à distância.)

Pergunta: É possível que a fenômeno da igreja emergente tenha negligenciado em observar a forma como as igrejas foram plantadas no primeiro século e tenham optado por seguir o caminho do moderno e tradicional movimento missionário e sistema pastoral? Nós, que somos considerados líderes da igreja, estamos bastante confiantes no nosso ministério e na capacidade do povo de Deus, bem na capacidade do Espírito Santo, ao ponto de abandonar nossas congregações sem líderes como fez Paulo de Tarso ... e realmente testar a eficácia dos nossos ministérios? Podemos orar ou, pelo menos, começar a dialogar sobre este assunto abertamente e tentar descobrir se realmente Deus deixou, na Sua Palavra, algumas raízes e princípios imutáveis na plantação da igreja? A volta a esses princípios pode ser aplicável no nosso tempo?

3. A Fenômeno da igreja emergente tem ignorado o que Paulo chama de o Eterno Propósito (Ef 3:11), que é intenção final de Deus na criação e na redenção.

Fiz uma observação no sentido de que toda a orientação do fenômeno da igreja emergente está enraizada na tentativa de identificar a melhor forma de resolver a necessidade das pessoas. Considere os temas tratados na comunhão das igrejas emergentes hoje: como podemos melhor evangelizar os perdidos? Como podemos viver melhor com os ideais do evangelho de Jesus? Como devemos tratar os homossexuais? Como podemos articular melhor o evangelho em um contexto pós-moderno? Qual é o papel dos artistas na igreja?
Todas estas perguntas têm como raiz subjacente as necessidades dos ajuntamentos humanos. Não me refiro a rebaixar essas questões, uma vez que o evangelho certamente aborda as necessidades da humanidade. No entanto, existe a necessidade de Deus também. Essa necessidade não corresponde a uma deficiência em si (porque Ele é todo-suficiente), mas sim um fluir do seu desejo a partir de Sua natureza. Paulo chama a esta necessidade de o Eterno propósito ou propósito das eras. E a igreja, como sonhamos, a qual está no coração de Deus, está no cerne desta intenção máxima. Tenho lido resmas de artigos das igrejas emergentes, mas nunca vi nem uma vez um artigo (ou um capítulo de um livro sobre a igreja emergentes), que discuta e traga luz sobre o propósito eterno de Deus.
Descrever o eterno propósito de Deus está além do escopo deste artigo, embora eu tenha abordado alguma coisa. Mas gostaria de terminar esta seção com algumas perguntas para pesquisamos:
Deus concebeu algo na eternidade passado. E essa finalidade foi a própria motivação para a criação em que nos encontramos. Você sabe que propósito é esse?
O bom-prazer do Deus Eterno é uma magnífica obsessão. . . é o que O impulsiona e Lhe consome. Pode a igreja emergente ressaltar a forma de satisfazer as necessidades da humanidade convergindo para o centro do coração de Deus?

4. A fenômeno da igreja emergente possui um traço comum com a maior parte da cristandade, que é em grande parte constituído sobre muita teoria e pouca prática.

Por exemplo, há uma grande dose de mensagens sobre o funcionamento do Corpo, a vida em comunidade, e sobre equipar os santos para o ministério, mas ainda tenho visto muito pouco da realidade espiritual sob qualquer forma entre aqueles que pregam essas mensagens em voz alta. Enquanto aplaudo os ganhos emergentes que algumas igrejas têm feito para proporcionar mais liberdade aos seus membros durante o serviço religioso que o jardim da igreja institucional, na minha avaliação, essas igrejas têm avançado apenas alguns centímetros à frente em um caminho muito longo.
Permitam-me ampliar este tópico um pouco. Cerca de dois meses atrás, eu recebi um telefonema de um conhecido líder de uma igreja emergente. Suas palavras foram: Frank, eu estou realmente desencorajado. Há um intenso falar sobre a vida comunitária, o funcionamento do Corpo e ministério do Corpo entre nós, mas não fui impressionado com o que tenho visto ao longo deste dias.
Eu concordei com ele totalmente, mas, depois, lhe disse: creio que esta é uma grande debilidade na comunhão da igreja emergente. Eu certamente não tenho a pretensão de ter todas as respostas, mas tenho vivido fora das igrejas institucionais há quase 20 anos agora. Tenho cometido uma série de erros e fracassos, mas também tenho feito muitas descobertas maravilhosas ao longo desse caminho. Esta viagem continua até este dia. Mas eu posso dizer isto sem recuar: durante os últimos dezessete anos, tenho recebido dos cristãos fora da igreja organizada. Sem exceção, em todos os grupos com os quais já me reuniu ou com os quais tenho trabalhado, tenho participado pessoalmente das dores e alegrias do viver em verdadeira e sólida comunidade, todos eles possuem reuniões consistente sob a liderança do Senhor, sem um líder ou facilitador, têm também tomado decisões em conjunto e têm resolvido os seus próprios problemas... todos, sem um pastor, ou um grupo de homens selecionados para governá-los, e sem um líder ou equipe de louvor.
O homem nunca mais me perguntou nada.
Isto me leva a encarar um conjunto de questões espinhosas: se somos humildes o suficiente para admitir que uma grande parte da comunhão da igreja emergente se converteu em um braço-armado da filosofia, podemos ter a humildade suficiente para nos sentar com aqueles que tiveram alguma experiência nestas questões para termos um diálogo aberto?
É possível que aquelas igrejas que têm caminhado um poucos passos na direção correta da libertação dos leigos não se desculpem e passem a admitir que há um vasto território a ser percorrido?
Como irá a Igreja de Jesus Cristo tornar-se visível nesta terra, de forma plena, se aqueles a quem Deus tem chamado e dotado para ajudar a equipar o povo de Deus nunca estão dispostos a aprender uns com os outros e procurar pôr em prática a visão de que arde em seus corações. Será que todos nós não estamos, independentemente, reinventando a roda...cada um por si? Ou, em síntese, será que uma flagrante falta de vontade de abandonar o sistema clerical continua a controlar o povo de Deus? Estaremos nós alegremente optando por mais Band-Aids, simplesmente porque é conveniente?

5. Embora a fenômeno da igreja emergente tenha dado ênfase necessária sobre o Jesus dos Evangelhos, ele concentrou-se em imitar Sua conduta, em vez de explorar seu relacionamento íntimo com um Deus que é a fonte da conduta do Senhor.

Estudar o exemplo terreno de Jesus Cristo e tentando imitá-lo é como tentar criar uma laranja, estudando a composição de uma laranja natural em um laboratório. Uma laranja é o fruto... o resultado natural da vida de uma laranjeira. Da mesma forma, a conduta terrena de Jesus era simplesmente o fruto de uma vida vivida em comunhão com a vida interior do Pai.
Jesus disse claramente que Ele não podia viver a vida cristã: sem meu Pai, eu nada posso fazer (João 5:19). Qual é, então, foi a raiz central da Sua vida abnegada? Ele nos deu a resposta em João 6:57, como o Pai me enviou e eu vivo pelo meu pai, quem de mim se alimenta por mim viverá. Jesus Cristo tinha uma relação interior com o seu Pai, que vivia nEle.
Esperar que o homem viva a vida cristã é como esperar que um gato arrume uma mesa, asse um bolo, coma-o com garfo e faca e lave os pratos. A vida do gato é uma forma de vida inadequada para a realização dessas atividades; portanto, é impossível para um gato apresentar uma conduta humana. Jesus disse revelou aos seus seguidores que, sem Ele nada podia fazer (João 15:5).
O segredo da vida extraordinária de Jesus na terra estava em Sua co-participação na vida do Seu Pai que era vivida através da vida do Filho. Da mesma forma, o segredo para imitar Jesus não é diferente. Encontra-se na nossa co-participação íntima no Senhor e viver pela Sua vida.
Podemos ser honestos o suficiente para admitir que estudar a Cristo a fim de tentar imitar Sua vida terrena é um fracasso? É possível para nós ter uma visão da vida terrena do Senhor, examinando Sua conduta interior como um padrão para que imitemos? Aquilo que o Pai significava para Jesus Cristo, Jesus Cristo significa para você e para mim? Atente para Suas palavras: como o Pai me enviou, também eu vos envio (João 20:21). . . Assim como eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta, por mim viverá (João 6:57). Na minha opinião, o que essas palavras representam e como devemos encará-las tem sido praticamente inexplorado pelos cristãos do mundo inteiro.

(Continua)

Fonte: <http://www.ptmin.org/fullyemerge.htm>. Acesso em 21 jun 2009

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não serão aceitos ataques ou ofensas a pessoas ou grupos!