Comunhão em Caxias, São Leopoldo, Canoas e Porto Alegre


PEDRAS DE OURO TRANSPARENTES?
(Parte III)


Despedi-me da família do irmão Derli e voltei para o carro. Havia esquecido o celular. Cinco ligações perdidas! Todas de casa.
- querido, os irmãos chegaram! Disse minha esposa.
Eu somente estava os esperando de noite, conforme o Silvio havia me avisado, mas a benção veio mais cedo. Muita coisa está acontecendo mais cedo nas nossas vidas, graças a Deus.
O Silvio então se despediu e voltou para Rio Grande. Pouco tempo depois, o Júnior chegou de Caxias cansado e suado. A temperatura estava bem alta naquele dia, um dia típico de verão. David e Geraldo estavam hospedados na nossa casa. Mantivemos uma rápida comunhão e, mesmo no calor, resolvi fazer uma pipoca de panela, uma das raras coisas que sei fazer na cozinha. Uma especialidade útil para acompanhar jogos de futebol ou DVDs. Na realidade, minha esposa tinha ido ao supermercado fazer compras com minha sogra. Arrumei as xícaras, pratos e pires de forma confusa, coloquei o que vi na geladeira na mesa e resolvemos tomar café e ir para Canoas, por volta das 19:00 h. O dia ainda estava claro por causa do horário de verão, e que verão.
Em Canoas, conversamos sobre diversos assuntos, novamente o Espírito nos guiou. Dentre os vários assuntos, em complemento à comunhão em Caxias, vimos que o homem não pode se auto-crucificar; não é possível negar a vida da alma através da alma. Somente pelo Espírito, podemos mortificar os feitos do corpo (Rm 8:9,13; Gl 5:16).
Existe uma doutrina que prega que carregar a cruz é se auto-anular, isto é, não ter prazer nesta vida. Isso não está de acordo com a Palavra de Deus. Trata-se de uma corrente filosófica chamada “asceticismo”, como descrito em Cl 2:20-23:

“Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Cl 2:20-23).

O Senhor não quer anular nossa pessoa. Sem o vaso, mesmo que de barro, o Senhor não teria onde depositar o seu tesouro. O que o Senhor quer é que passemos a viver impulsionados pelo Espírito. Comparando o homem com um carro, seria como se o homem fosse um carro bi-combustível, mas que desde seu nascimento vivesse sendo suprido pelo combustível da vida da alma ou do ego; entretanto, após sua regeneração, esse mesmo homem descobriria a opção de mudar para o combustível do Espírito, a fim de que Deus se tornasse sua fonte de prazer, satisfação e vida.
Precisamos abandonar a idéia de que o Senhor quer destruir-nos e a todo momento está planejando como acabar com nossa alma. Nosso Pai não é assim (Jr 29:11). De fato, há itens na nossa vida que estão tão incrustados em nossa pessoa que há necessidade de que situações sejam levantadas para que determinados pecados, inclinações e paixões sejam extraídas de nós. Quando essas coisas vêm à tona, podemos nos arrepender, condená-las e abandoná-las. Mas isso nada tem a ver com nossa pessoa e, sim, ao pecado. Só Deus como um habilidoso cirurgião pode extrair alguns “tumores” da nossa alma; ninguém mais pode fazer isso. O Senhor é tão carinhoso e amável, podemos confiar-lhe nossas vidas que Ele saberá como tratar cada área do nosso ser. Ele jamais errou; não há o que temer! O Senhor quer restaurar nossa alma e não destruí-la:

“A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma...” (Sl 19:7)

Os fundamentos da Nova Jerusalém serão os doze apóstolos e adornando esse fundamento haverá diversas pedras preciosas (Ap 21:19-20). Por um lado, somos o ouro transparente da cidade; por outro, estamos desfrutando da comunhão do ensinamento dos apóstolos (Ato 2:42), como pedras preciosas.
Essas pedras não terão a mesma cor; você pode ser uma pedra vermelha; o outro irmão pode ser uma pedra verde; não importa. Cada irmão e irmã possui sua “cor e brilho”, conforme projetada pelo Criador (1 Co 15:39-48). Alguns, entretanto, podem ser mais transparentes que outros. Há irmãos nos quais você consegue enxergar facilmente a glória de Cristo; há outros, contudo, você não consegue ver quase Cristo, pois coisas escondidas impedem a visão, falta-lhes transparência. Mas o Senhor quer tornar-nos transparentes e utilizará de todas as circunstâncias disponíveis para tanto.
A igreja é como um grande diamante que está sendo lapidado para que, ao brilhar de Cristo em nossos corações, cada faceta possa expressá-Lo através da pessoa de cada cristão. Essa é a multiforme sabedoria de Deus.
Geraldo então contou-nos sobre as experiências com seus filhos, dizendo que, mesmo em face às dificuldades, o que Deus trabalhava nele, também trabalhava em seus filhos. A prova disso é que hoje, seu filho que se voltou para o Senhor ama estar com os irmãos e ama o Senhor. Deus quer trabalhar na nossa família. Deixá-lo operar em nós trará benefícios para todos os nossos.
Eram 23 horas. Precisávamos voltar para casa, porque havia irmãos que seriam alojados nas casas e não era bom chegar muito tarde.

(Continua...)

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